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Ela



O cabelo dela tinha um tom de loiro tão desbotado que chegava a ser branco. Os olhos dela mal eram visto por baixo da camada preta de utensílios góticos. Ela tinha a palavra “Dangerous” tatuada no braço esquerdo. Ela nunca chorava. Ela nunca sorria. Não de verdade. Seu corpo era muito branco e muito magro, sempre coberto com mil moletons, enquanto as pernas ficavam desnudas em shorts pequenos. Ela nunca falava. Um pequeno rolo branco de Malboro alternava entre suas mãos e sua boca.
As pessoas não se aproximavam. Ela não deixava. Um dia alguém chegou perto demais e foi o suficiente pra que não houvesse segunda tentativa. Ela não acreditava em segundas chances. De fato, ela não acreditava em quase nada. Só no maço de Malboro. Até aquela marca idiota de chiclete de menta mentia, o sabor não durava nem dois minutos e tinha açúcar, sim, ela sabia.
Ela não usa um sorriso debochado pra fazer de conta que já passou por coisas demais na vida. Ela usa um sorriso debochado porque já passou por coisas demais na vida.  Ela não sabe mais fazer de conta. Um dia as coisas que ela esteve tentando ignorar, se fizeram ver. E ela entendeu o quanto era frágil pra doar sua alma na primeira promessa. Agora havia um muro. Agora havia uma senha. Agora seu único lema era: mantenha distância. Não é teatro. Ela sabe o quanto dói uma colisão.

2 comentários

  1. Obg, meu anjo. A dona do Blog, Angélia, escreve. Eu, que escrevi o texto, não.

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