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Mentiras


 
Ele diz coisas lindas, olhando pra mim de forma intensa. O castanhos esverdeado dos seus olhos me arrepia. Eu sorrio, agradeço e o beijo. Mas não acredito em nenhuma palavra daquilo que ouvi.
Eu não o culpo, até acho graça. Pode ser que eu esteja sendo condescendente, mas acredito que esse modo sincero com o qual ele me conta mentiras só faz parte da sua personalidade. Ele tem que sentir que me envolve, tem que se ver no poder, então eu o deixo reinar.
Eu assisto sua atuação bem ensaiada e sempre noto sua tensão no fim dos contos, aquele momento em que ele espera minha reação. Ele teme que eu fuja ao ouvir a verdade, teme que eu não suporte conhecê-lo por inteiro, enfim, teme me perder. Mas se nem mesmo a mentira me fez ir embora, qual efeito a verdade – que já conheço – poderia ter?
Imagino que eu o decepcionaria mais. Sou sua cúmplice e guardo seus segredos melhor que ele mesmo. Isso seria assustador demais pra alguém que gosta de estar no controle. Mas não me preocupo muito, somos um casal efêmero, uma linda construção de bases fracas.
O que sei é que, por enquanto, a mentira nos é útil. Nos une, embora possa, em breve, nos separar. E essa meia verdade (ainda assim, mentira inteira) que nós vivemos , por hora, nos satisfaz.

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